Publicado em 03/05/2026
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(ENEM) O açúcar e suas técnicas de produção foram levados à Europa pelos árabes no século VIII, durante a Idade Média, mas foi principalmente a partir das Cruzadas (séculos XI e XIII) que a sua procura foi aumentando. Nessa época passou a ser importado do Oriente Médio e produzido em pequena escala no sul da Itália, mas continuou a ser um produto de luxo, extremamente caro, chegando a figurar nos dotes de princesas casadoiras.
CAMPOS, R. Grandeza do Brasil no tempo de Antonil (1681-1716). São Paulo: Atual, 1996.
Considerando o conceito do Antigo Sistema Colonial, o açúcar foi o produto escolhido por Portugal para dar início à colonização brasileira, em virtude de:
(ENEM) Dos senhores dependem os lavradores que têm partidos arrendados em terras do mesmo engenho; e quanto os senhores são mais possantes e bem aparelhados de todo o necessário, afáveis e verdadeiros, tanto mais são procurados, ainda dos que não têm a cana cativa, ou por antiga obrigação, ou por preço que para isso receberam.
ANTONIL, J. A. Cultura e opulência do Brasil [1711]. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1967 (adaptado).
Segundo o texto, a produção açucareira no Brasil colonial era
(ENEM) O quilombo serviu para o desbravamento das florestas além da zona de penetração dos brancos e para a descoberta de novas fontes de riquezas. Na capitania e depois província do Rio de Janeiro, as fontes documentais sugerem que os quilombolas de Iguaçu mantinham um intenso comércio de madeira com a Corte e também empregavam-se como trabalhadores nas fazendas de proprietários que contratavam negro fugido.
REIS, J. J. Quilombos e revoltas escravas no Brasil. Revista USP, n. 28, dez.-fev. 1996 (adaptado).
De acordo com o texto, qual estratégia de resistência e sobrevivência foi utilizada por indivíduos quilombolas?
(ENEM) Os próprios senhores de engenho eram uns gulosos de doce e de comidas adocicadas. Houve engenho que ficou com o nome de “Guloso”. E Manuel Tomé de Jesus, no seu Engenho de Noruega, antigo dos Bois, vivia a encomendar doces às doceiras de Santo Antão; vivia a receber presentes de doces de seus compadres. Os bolos feitos em casa pelas negras não chegavam para o gasto. O velho capitão-mor era mesmo que menino por alfenim e cocada. E como estava sempre hospedando frades e padres no seu casarão de Noruega, tinha o cuidado de conservar em casa uma opulência de doces finos.
FREYRE, G. Nordeste: aspectos da influência da cana sobre a vida e a paisagem do Nordeste do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985 (adaptado).
O texto relaciona-se a uma prática do Nordeste oitocentista que está evidenciada em:
Considere o texto a seguir:
“(...) a especialização do escravo é determinada segundo as necessidades do mercado ou a boa vontade de seu senhor. Esta imensa possibilidade de transferência tem uma influência reguladora sobre o mercado, onde a demanda varia de acordo com a conjuntura e a concorrência. O escravo é, às vezes, simplesmente alugado (...). É possível alugá-lo ao dia, à semana, ao mês, ao ano ou por mais tempo.”
(MATTOSO, Kátia de Queirós. Ser escravo no Brasil. Trad. São Paulo: Brasiliense, 3.ed, 1990, p. 141)
A descrição acima sinaliza uma forma de trabalho escravo
“A plantation escravista não deve ser compreendida apenas como unidade produtiva, mas como dispositivo de organização do tempo e da vida. A disciplina imposta aos escravizados implicava a internalização de ritmos produtivos que subordinavam o corpo à lógica da produção contínua. A violência, nesse contexto, não operava apenas como punição, mas como linguagem normativa que estruturava a previsibilidade do trabalho e a regularidade da produção.”
(CARDOSO, C. F. Agricultura, escravidão e capitalismo. 1982.)
“A integração da plantation ao circuito da economia-mundo implicava a necessidade de padronização produtiva e estabilidade na oferta de mercadorias. Isso exigia não apenas controle físico, mas uma racionalização da exploração, na qual o escravizado era reduzido à condição de unidade produtiva quantificável, inserida em uma lógica de equivalência abstrata própria das formações capitalistas emergentes.”
(GORENDER, J. O escravismo colonial. 1978.)
A especificidade da escravidão na plantation reside na:
“A figura do escravo de ganho introduz uma tensão fundamental na compreensão da escravidão urbana: ao mesmo tempo em que circula e negocia, ele permanece juridicamente propriedade. Sua atividade econômica, longe de representar liberdade, constitui uma forma de mediação da exploração, na qual a obrigação de repasse financeiro redefine o controle senhorial.”
(KARASCH, M. A vida dos escravos no Rio de Janeiro. 2000.)
“A aparente autonomia do escravo de ganho pode ser interpretada como forma de fetichização da liberdade, na medida em que encobre a permanência das relações de dominação. Trata-se de um arranjo em que a liberdade é simulada como prática econômica, mas negada como condição jurídica.”
(CHALHOUB, S. Visões da liberdade. 1990.)
Infere-se que o escravo de ganho:
“O engenho colonial era uma empresa complexa: combinava terra, capital mercantil europeu e trabalho compulsório africano. O senhor de engenho dependia do tráfico atlântico para repor a mão de obra, já que as taxas de mortalidade eram altíssimas.”
SCHWARTZ, Stuart B. Segredos internos: engenhos e escravos na sociedade colonial. São Paulo: Companhia das Letras, 1988. p. 89.
“A economia açucareira estruturou-se na lógica da escravidão mercantil: o escravizado não era apenas trabalhador, era também mercadoria. Seu valor oscilava no mercado conforme idade, saúde e origem étnica.”
ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. p. 143.
A partir dos textos, a economia do açúcar no Brasil colonial caracterizava-se pela:
“Os senhores classificavam os escravizados recém-chegados como boçais - não falavam português, desconheciam o trabalho no engenho. Já os ladinos eram os ‘aculturados’, que dominavam a língua e os ofícios.”
REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos malês em 1835. São Paulo: Companhia das Letras, 2003. p. 47.
“Nas senzalas, o processo de crioulização criou novas formas culturais: línguas, religiões e parentescos que não eram nem africanas ‘puras’ nem europeias. Eram invenções da diáspora.”
SLENES, Robert W. Na senzala, uma flor: esperanças e recordações na formação da família escrava. Campinas: Editora da Unicamp, 2011. p. 28.
A distinção entre “boçal” e “ladino” e o conceito de “crioulização” evidenciam que:
“Nas cidades, muitos escravizados viviam do ‘ganho’: vendiam quitutes, carregavam carga, trabalhavam como barbeiros. Entregavam uma quantia fixa ao senhor e ficavam com o resto. Alguns compravam a própria alforria.”
SOARES, Carlos Eugênio Líbano. A capoeira escrava e outras tradições rebeldes no Rio de Janeiro. Campinas: Editora da Unicamp, 2001. p. 112.
“Nos engenhos, a brecha camponesa permitia que escravizados cultivassem roças próprias aos domingos e vendessem o excedente. Era uma concessão senhorial, mas também uma conquista escrava.”
CARDOSO, Ciro Flamarion S. Escravo ou camponês? O protocampesinato negro nas Américas. São Paulo: Brasiliense, 1987. p. 61.
Os dois textos descrevem formas pelas quais escravizados:
“Ordeno que se façam entradas nos matos para destruir os quilombos e prender os negros fugidos, que vivem em sua liberdade, roubando e fazendo insultos.”
DOCUMENTOS HISTÓRICOS. Bando sobre quilombos. Biblioteca Nacional, v. 32, 1741. p. 205.
“O aquilombamento não era apenas fuga. Era projeto político: recriar sociedades africanas na América, com agricultura, defesa militar e relações com taberneiros e indígenas.”
GOMES, Flávio dos Santos. A hidra e os pântanos: mocambos, quilombos e comunidades de fugitivos no Brasil. São Paulo: Ed. UNESP, 2005. p. 34.
O confronto das fontes revela que os quilombos representavam para a ordem colonial:
“Além das fugas e revoltas, havia resistências cotidianas: quebrar ferramentas, trabalhar devagar, fingir doença. Eram formas de sabotar a produção sem confronto direto.”
REIS, João José; SILVA, Eduardo. Negociação e conflito: a resistência negra no Brasil escravista. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. p. 14.
“Relatos de senhores e médicos mencionam o banzo - a melancolia profunda que levava africanos à morte - e casos de mães que cometiam infanticídio para poupar os filhos da escravidão.”
KARASCH, Mary C. A vida dos escravos no Rio de Janeiro, 1808-1850. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. p. 387.
Os textos ampliam o conceito de resistência escrava ao incluir:
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